Simões promete passe livre a alunos, propõe monitoramento nas divisas de MG e atribui entraves no Rodoanel a comunidades 'falsamente quilombolas'
MG1 entrevista Mateus Simões (PSD), candidato ao governo de MG O candidato do PSD ao governo de Minas Gerais, Mateus Simões, afirmou, em entrevista ao MG1 des...
MG1 entrevista Mateus Simões (PSD), candidato ao governo de MG O candidato do PSD ao governo de Minas Gerais, Mateus Simões, afirmou, em entrevista ao MG1 deste sábado (19), que pretende dar passe livre a estudantes no transporte metropolitano durante a semana e a toda a população aos domingos. Ele também propôs implementar reconhecimento de placas de veículos e identificação facial nas divisas do estado. Simões ainda defendeu o projeto do Rodoanel e atribuiu os entraves da obra ao que ele chamou de comunidades "falsamente apresentadas como quilombolas". O candidato foi o sexto — e último — a participar da série de sabatinas do MG1. A Globo convidou os seis nomes mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Instituto Datafolha em 11 de setembro. Veja o que Mateus Simões falou sobre os seguintes temas: Transporte metropolitano e metrô Rodoanel e mobilidade urbana Segurança pública Prevenção de desastres e mudanças climáticas Dívidas de Minas Corrupção e fiscalização ambiental Saúde Combate ao feminicídio e violência de gênero Educação e infraestrutura escolar Transporte metropolitano e metrô Mateus Simões fala sobre transporte metropolitano Questionado sobre as mais de cinco mil reclamações registradas contra o transporte metropolitano entre janeiro e julho deste ano, Mateus Simões afirmou que pretende ampliar o número de passageiros do sistema para melhorar sua sustentabilidade financeira. Entre as propostas, citou a gratuidade para estudantes durante toda a semana e o passe livre aos domingos, além da integração entre o transporte municipal, metropolitano e o metrô. "Se eu trouxer mais gente para o ambiente do transporte metropolitano, que é o único que está sob o nosso controle, a gente consegue fazer com que o sistema fique mais viável, se integrando com o transporte do metrô." Rodoanel e mobilidade urbana Mateus Simões fala sobre mobilidade urbana em entrevista ao MG1 Ao ser questionado sobre os atrasos no início das obras do Rodoanel, Simões atribuiu a paralisação a disputas judiciais relacionadas ao licenciamento ambiental e à consulta de comunidades afetadas pelo empreendimento. Segundo ele, todas as comunidades quilombolas identificadas durante o processo foram consultadas. "Infelizmente, comunidades falsamente apresentadas como quilombolas, porque as seis quilombolas foram consultadas, estão se movimentando, dizendo que a gente tem que consultar 153 comunidades que não foram identificadas." O candidato afirmou que a licença ambiental do projeto está pronta e que a liberação da obra depende de uma decisão judicial e de uma autorização pendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). "A licença ambiental está pronta, aguardando só a liberação do Incra, que está pendente por conta dessa ação." Simões disse que pretende continuar defendendo a execução do projeto, mas afirmou que os recursos reservados para a obra poderão ser direcionados à expansão do metrô caso o impasse continue. "Se esse recurso não for utilizado nos próximos meses para a gente começar a obra, [...] eu vou deslocar esse dinheiro para o metrô." Segundo o candidato, o Rodoanel é fundamental para reduzir o fluxo de caminhões no Anel Rodoviário da capital e aumentar a segurança viária na Região Metropolitana de Belo Horizonte. "O Rodoanel resolveria esse problema. Então eu vou continuar lutando para que a burocracia e a manipulação política não impeçam que a gente ponha na rua esse projeto, que é o maior projeto rodoviário da história de Minas Gerais." Segurança pública Mateus Simões fala sobre segurança em entrevista ao MG1 Questionado sobre o aumento da violência em Araguari, que se tornou a cidade com a maior taxa de homicídios de Minas Gerais, Mateus Simões afirmou que os índices já começaram a cair após uma ação das forças de segurança para conter disputas entre facções criminosas. Segundo ele, a situação foi provocada por uma tentativa de domínio territorial por grupos organizados. "Neste momento, a taxa de homicídio de Araguari já caiu 50%. [...] Foram brigas de facção e a gente fez uma intervenção forte para interromper a briga de facção." O candidato citou como principal proposta para a área de segurança a implantação do programa Escudo Mineiro, que prevê o monitoramento das divisas estaduais por meio de reconhecimento de placas e identificação facial. Segundo ele, a medida ajudaria a combater a entrada de foragidos, o roubo de cargas e a circulação de veículos clonados. "Minha proposta é a digitalização completa das divisas de Minas para que ninguém entre nem saia do estado sem ter rosto e placa identificados". Simões afirmou ainda que Araguari será uma das primeiras cidades a receber a nova tecnologia também dentro do perímetro urbano. Ao ser questionado sobre o número de policiais militares em atividade, o candidato contestou a interpretação de que a lei estadual obriga o governo a manter 51 mil policiais na corporação e afirmou que a norma estabelece um limite máximo de efetivo. Segundo ele, a atual restrição para novas contratações decorre da Lei de Responsabilidade Fiscal. "A Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece um limite de contratação. [...] As leis de efetivo fixam limites máximos e não mínimos." Simões afirmou, porém, que considera insuficiente o atual efetivo da Polícia Civil e disse que pretende buscar autorização judicial para ampliar o número de investigadores e delegados. "Eu estou disposto a ir ao Supremo pedir uma autorização excepcional para a gente contratar esses 3 mil policiais civis a mais, porque isso falta mesmo." O candidato destacou ainda que a atual gestão promoveu novas nomeações para as forças de segurança e afirmou que pretende manter as contratações caso seja reeleito. Prevenção de desastres e mudanças climáticas Mateus Simões fala sobre período chuvoso em entrevista ao MG1 Questionado sobre as ações de prevenção adotadas após o período chuvoso que deixou 92 mortos em Minas Gerais, sendo 66 em Juiz de Fora, Mateus Simões afirmou que o governo estadual realizou obras de reconstrução e recuperação em cidades atingidas, além de disponibilizar recursos para ações de prevenção. Segundo ele, no caso de Juiz de Fora, a principal solução passa pelo reassentamento de moradores em áreas de risco. O candidato citou obras realizadas em Ubá, intervenções para evitar novas interdições em vias atingidas por enchentes e projetos de recomposição de mata ciliar derivados do acordo de reparação pelo desastre de Mariana. Ele também defendeu o avanço de políticas de descarbonização como parte da estratégia de enfrentamento das mudanças climáticas. "Há um volume considerável de investimentos em evitar que as cidades sofram as consequências, mas eu chamo atenção para o fato de que nós precisamos continuar trabalhando também na política de descarbonização." Ao falar sobre medidas para evitar novas tragédias, Mateus Simões afirmou que os problemas enfrentados por Juiz de Fora e Ubá têm causas diferentes e, por isso, exigem soluções específicas. Conforme ele, enquanto em Juiz de Fora o desafio está relacionado à ocupação irregular de encostas, em Ubá a prioridade é a recuperação ambiental da bacia hidrográfica. "Nós temos um projeto muito grande, considerado o maior projeto do Brasil, de replantio das encostas de todos os afluentes do Rio Doce. São R$ 3 bilhões que vão ser investidos." Questionado sobre a ausência do governo mineiro em um evento preparatório para a COP 30, o candidato afirmou que Minas já adota medidas alinhadas às recomendações internacionais para redução das emissões de carbono e adaptação climática. Ele comparou as ações do estado às do governo federal e defendeu os resultados alcançados na área ambiental. "Nós somos premiados como um dos cinco melhores exemplos de estado do mundo em acompanhamento de descarbonização. Eu não estou preocupado em tirar fotografia. Eu estou preocupado em pôr a política no chão, porque nós aqui já sofremos o efeito disso." Ao comentar as altas temperaturas registradas recentemente em Minas Gerais, Mateus Simões afirmou que os eventos climáticos extremos já fazem parte da realidade do estado e defendeu medidas de adaptação para ajudar os municípios a enfrentar os impactos do calor, da seca e das chuvas intensas. De acordo com ele, o governo está instalando sistemas de climatização em escolas estaduais e municipais localizadas em regiões mais afetadas pelas altas temperaturas. O candidato também citou investimentos em drenagem urbana e medidas para ampliar a capacidade de armazenamento de água no Norte de Minas. "Nós estamos climatizando neste momento mil escolas em Minas Gerais. São 23 mil kits de climatização que estão sendo comprados. [...] Isso não substitui as ações de neutralização de carbono, mas elas são importantes. Drenagem para o Sul e capacidade de resistir ao calor e à seca no Norte." Dívidas de Minas Mateus Simões fala sobre dívida pública em entrevista ao MG1 Questionado sobre o crescimento da dívida de Minas Gerais com a União, que saltou de R$ 88 bilhões para mais de R$ 180 bilhões durante sua atuação como secretário-geral de Governo e vice-governador, o candidato sustentou que o Estado mantém as contas equilibradas e sem atrasos no pagamento de parcelas. Ao comparar a situação atual com o cenário de oito anos atrás, Mateus Simões destacou a regularização dos salários dos servidores, o andamento de obras e o abastecimento de medicamentos nas farmácias públicas, informando ainda a destinação de R$ 13 bilhões ao Governo Federal nos últimos 24 meses para abatimento da dívida. Ao abordar os débitos pendentes com os municípios e com a Justiça, o candidato afirmou que os repasses vêm sendo quitados nas datas estipuladas nos acordos de renegociação. Ele criticou declarações de outros concorrentes que desconsideram compromissos assumidos por administrações anteriores, defendendo a responsabilidade do estado em honrar seus credores para recuperar a capacidade de investimento. "Nós entramos e pagamos todas as dívidas do passado porque o cara que tem o crédito do passado, ele precisa voltar a receber." Corrupção e fiscalização ambiental Mateus Simões fala sobre corrupção em entrevista ao MG1 Questionado sobre a Operação Rejeito, que investigou um esquema bilionário de corrupção envolvendo órgãos ambientais de Minas Gerais, Mateus Simões afirmou que o principal papel do governo é punir os responsáveis e aperfeiçoar os processos para reduzir as oportunidades de fraude. Segundo ele, a investigação envolve agentes de diferentes esferas de governo e demonstra a necessidade de diminuir a subjetividade nos processos de licenciamento ambiental. O candidato defendeu a regulamentação do novo marco do licenciamento ambiental e disse que pretende ampliar o uso da tecnologia para reduzir a interferência humana na análise dos processos. "Onde há subjetividade para a emissão de uma licença, há espaço para a corrupção. O que a gente tem que fazer é ter uma mudança da lógica de emissão das licenças." Simões afirmou ainda que adota uma política de afastamento imediato de servidores investigados e destacou que a Polícia Civil e a Corregedoria atuam de forma independente nas apurações. "Investigação começou, imediatamente todos os investigados são exonerados. A nossa polícia vai atrás, com a nossa Corregedoria, para garantir a punição e responsabilização dos envolvidos." Ao ser questionado sobre o caso do ex-presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Rodrigo Franco, que recebeu uma medalha ambiental meses antes de ser preso e indiciado pela Polícia Federal, o candidato afirmou que as investigações são conduzidas sob sigilo e que a administração não tem acesso prévio às informações produzidas pelos órgãos de controle. "Quem investiga não é a mesma pessoa que administra. [...] Toda a investigação é feita sob sigilo. A gente não permite que essas informações vazem lá dentro, porque senão coloca em risco a condição de prender os culpados." O candidato afirmou que, após a operação, os envolvidos foram afastados das funções e defendeu a autonomia dos órgãos de investigação. Saúde Mateus Simões fala sobre saúde em entrevista ao MG1 Questionado sobre problemas estruturais e incidentes registrados no Hospital João XXIII após sua visita à unidade, o candidato explicou que a instituição atua como centro de referência estadual e não pode ter suas alas desocupadas de uma só vez para reformas. Ele informou ter disponibilizado R$ 75 milhões para um cronograma de intervenções de quatro anos, prevendo a reforma gradativa de meio andar por vez em função do intenso fluxo de pacientes. Como estratégia para reduzir a sobrecarga das unidades antigas da Fhemig, destacou a contratação e o início das obras do Hospital Padre Eustáquio (Hope), em Belo Horizonte. Ao abordar a gestão da rede pública de saúde, o candidato sustentou que a ampliação dos hospitais regionais e o fortalecimento de unidades de médio porte no interior são essenciais para conter o deslocamento de pacientes rumo à capital. Segundo ele, a oferta de leitos descentralizados alivia a pressão sobre os grandes prontos-socorros e permite ao governo realizar os investimentos de manutenção necessários. "A construção do Hope vai ser importante, reforçar os hospitais de médio porte no interior, como a gente tem feito, para que chegue menos pacientes na capital. Isso vai abrandando essa situação aqui para dar folga para a gente fazer os investimentos." Combate ao feminicídio e violência de gênero Mateus Simões fala sobre violência contra as mulheres em entrevista ao MG1 Questionado sobre as estratégias de combate à violência de gênero, o candidato assumiu o compromisso de reforçar a Polícia Civil com mais de 3 mil homens para suprir a carência de pessoal na corporação. Com o aumento do efetivo, propôs expandir a presença de delegacias para 100% das comarcas de Minas Gerais — o que representará mais do que dobrar as atuais 70 unidades — e viabilizar o funcionamento dos plantões em período integral. "Com mais policiais, a gente consegue escalar policiais para poderem trabalhar em período integral." O candidato ressaltou a liderança da comandante da Polícia Militar, coronel Cleide, no enfrentamento à violência contra a mulher e defendeu a ampliação das patrulhas Maria da Penha de 125 municípios para 100% das cidades do estado. Além da punição rigorosa aos agressores, sustentou que os projetos sociais estaduais devem priorizar a requalificação e a inclusão financeira e profissional das mulheres. "Todos os projetos sociais do governo vão ter sempre foco na requalificação e inclusão financeira e produtiva da mulher, porque muitos casos de violência acontecem porque a mulher está submetida psicológica e financeiramente a uma relação." Educação e infraestrutura escolar Mateus Simões fala sobre educação em entrevista ao MG1 Questionado sobre os baixos índices de aprendizagem no ensino médio em Minas Gerais, Mateus Simões afirmou que o problema é nacional, mas destacou que o estado está entre os melhores do país nesse indicador. Segundo o candidato, a estratégia para melhorar o desempenho dos estudantes passa por investimentos em infraestrutura, valorização dos professores e ampliação da formação profissional. Ele citou reformas em escolas, instalação de equipamentos de climatização e a contratação de servidores efetivos para a rede estadual de ensino. Também destacou a incorporação de abonos aos salários e a concessão de reajustes anuais à categoria. "Contratamos mais de 38 mil efetivos para a educação ao longo do governo Zema e incorporamos os abonos, passamos a dar os aumentos anuais." Simões afirmou ainda que pretende ampliar a oferta de cursos profissionalizantes por meio do programa Trilhas de Futuro. Segundo ele, a meta é mais que dobrar o número de matrículas para aumentar as oportunidades de inserção dos jovens no mercado de trabalho. "O meu compromisso é sair das atuais 112 mil matrículas que a gente tem de profissionalizante para mais de 240 mil matrículas no ano que vem". Ao ser questionado sobre problemas de infraestrutura, como a ausência de saneamento básico em parte das escolas, o candidato afirmou que o atendimento de água e esgoto é responsabilidade dos municípios, mas disse que o governo estadual tem atuado em parceria com as prefeituras para enfrentar o problema. Segundo ele, uma das medidas é transformar escolas localizadas em áreas sem abastecimento adequado em pontos de distribuição de água para as comunidades do entorno. Mateus Simões, candidato à reeleição para o governo de Minas Gerais, no estúdio da TV Globo em Belo Horizonte Fred Bottrel/TV Globo Os vídeos mais vistos do g1 Minas: